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M u l t i f a c e t á r i a

Escritos, Sons, imagens e outras experiências de Brenda Mars

Um ano novo de contos DESnaturalizados

Para fechar este ano de 2016 deixo com vocês um dos contos que fazem parte do meu novo livro. Sintam um pouco do gosto das palavras deste universo de realismo mágico de DESnaturalizados!

Nova Aurora
Por Brenda Marques Pena

Papéis empilhados, prosas em linhas não-lineares e ditos registrados na bagunça do quarto. Assim, Aurora se encontrava com os pensamentos dispersos depois de um ano inteiro.
Naquele instante ela sentiu como se estivesse empilhando memórias de um tempo que só voltará na lembrança.

Intrigada com tanta recordação resolveu descartar algumas. Para isso, pegou uma sacola pequena e começou pelos papéis menores: recados, telefones de desconhecidos, cartões de visita, comprovantes de depósito de caixas eletrônicos. Aos poucos, a sacola foi se enchendo e ela acabou precisando pegar uma maior. Antes, ela deu uma pausa para olhar para a janela e viu que o sol se despedia da montanha.

As cores do céu fruta-cor, os pássaros se recolhendo em seus ninhos e poucos carros passando na rua no feriado da paz universal. Com o chegar da noite seus pensamentos voltaram em forma de papéis, presentes de amigos, livros e retratos. Então ela buscou um saco bem grande.

Ao olhar para o armário, hesitou por um instante e uma súbita vontade lhe invadiu: quis guardar tudo, esconder para sempre cada papel, com temos de ao desfazer-se deles, fosse apagando aos poucos as lembranças e se tornasse capaz de recordar as vivências.

Desta feita, ela respirou fundo, olhou de lado para o armário aberto para não mudar o que já estava decidido, afinal precisava dar espaço para o novo: ano novo, novas amizades, novas vivências. Assim, ela conseguiu retomar sua seleção e foi jogando fora cada papel inútil agora, cada cartaz de show, convite, começando pelos que não pode ir, ainda que aquela fosse a única prova da existência de determinados eventos.

Depois de uma longa jornada de reciclagem das ideias, Aurora estava exausta. Vários sacos estavam cheios à sua volta. Enfim, os espaços tinham sido criados para as novas experiências. Dormiu no meio do quarto. Quando no outro dia ouviu o caminhão de lixo chegar, hesitou mais uma vez em entregar suas lembranças, mas resistiu, entregou as sacolas para o lixeiro sorrindo e disse:

– Feliz ano novo!

(Este é um dos contos que integram o meu novo livro: DESnaturalizados. Espero todos que amigos que vivem ou que estiverem em BH para o dia 7 de janeiro – um dia depois de eu soprar duas velinhas de 18 anos, afinal estarei fazendo 18 em cada perna…)

“Valparaíso será meu destino fechando o ciclo do ano 2016 e percutindo boas vibrações para 2017 na Folk Marathon”
Brenda Mar(que)s Pena – baterista, percussionista e compositora da Banda Cáustica

https://www.facebook.com/events/289457001438179/

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Noite de Poemia na Casa dos Jornalistas

Na próxima quarta, 21 de dezembro, a partir das 20 horas vai ter lançamento do livro Poemias, de Vicente Ferrer, com sarau Nós da Poesia, performances, mostra de artes e música com a banda Cáustica, Cláudio Carvalho e DJ Fat Monkey! Muita arte misturada, do jeito que a gente gosta com bar vendendo comidas e bebidas pra gente brindar esse ano! Não dá para perder! Entrada: R$ 10 reais.

Confirme o evento no facebook e compartilhe:https://www.facebook.com/events/1283846271676399/

THIS IS NOT VAREJÃO NO TEATRO 171

thisisnotvarejaoTHE NIGHT GLAMOUR, COM HELENA CUNHA, JAVIER GALINDO, DENNER MOISÉS MARC DAVI, ANDRÉ SALGUEIRO, MATHEUS SILVA,LETÍCIA CASTILHO, THIAGO FERNANDES, CYNTHIA PAULINO, GU FREITAS, BREMMER GUIMARAES, PRETO MONTEIRO, BRENDA MARS EU E GUILEEERME! TA BAFOO!

A grande noite será sábado, 03/12, no Espaço171!— com Preto Mlkinho, Marc Davi, Helena Cunha, Denner Moises, André Lopes Salgueiro, Thiago Fernandes, Bremmer Guimarães, Daniela Belo, MamaCy Paulino, Guilherme Morais, Matheus Silva, Javier Galindo, Letícia Castilho e Brenda Marques Pena.

Mostra de trabalhos do Núcleo de Pesquisa do Galpão Cine Horto

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“Este foi um ano de muitas trocas com o grupo de pesquisa em dramaturgia do Galpão. Cada um fez a leitura do seu texto do projeto de dramaturgia que também foi lido por outros. O meu é o #Ocupa180 que são cenas curtas para teatro e vídeo que mostram movimentos de resistência durante esses períodos de descaminhos na política brasileira. Vou deixar neste blog esses escritos para ser apropriado por diretores, atores, performers e leitores. Comecei a apresentação dos textos com um minuto de silêncio por Fidel e para pensarmos quais as revoluções são necessárias hoje. Acredito muito no caminho revolucionário da cultura e educação. A foto do meu rosto reflexivo é de Fernando Barbosa.

 

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NÚCLEO DE PESQUISA EM DRAMATURGIA
14h – 18h Segundo andar do Galpão Cine Horto

>>> Leitura dos textos dramatúrgicos:
“Eu”, de Andreia Quaresma
“Ocupa180”, de Brenda Marques
“O peixe fora d’água”, de Marcelo Cordeiro
“À dois”, de Yasmin Umbelino
“Céu”, de Julieta Dobbin
“Livreiro, esqueci o nome do livro”, de Guilherme Leite
“Sinestesia do inconsciente”, de Pedro Estrada
“Vice-versa”, de Evandro Heringer
“Colônia”, de Cris Moreira; “Cantos dos homens… (en)cantos das mulheres”, de Márcia Cristina
“Sessão desaparecidos”, de Chico Dornelas
“Xirê – a saga do menino rei”, de Herlen Romão.

 

[RE] JEITO A LAMA

rejeitoodiaquejaduraumanoO MAIOR DESASTRE AMBIENTAL DO BRASIL AINDA CONTINUA A ESPALHAR LAMA PELO RIO WATU – COMO É CHAMADO O RIO DOCE PELOS INDÍGENAS
Está fazendo um ano que a lama gerada pela ganância da Samarco (Vale/BHP Billiton) matou 19 pessoas, destruiu famílias, comunidades, o rio Doce e diversos ecossistemas, de Mariana ao Atlântico. E até agora os culpados não foram devidamente responsabilizados.

Não bastasse a impunidade, a mineradora trabalha para maquiar o estrago (deixando os rejeitos onde estão) e reiniciar suas operações utilizando o mesmo sistema de produção de rejeitos. Pior: com o apoio de autoridades do Poder Público.

Esta tragédia (hoje sabidamente anunciada) não é caso isolado. Nas últimas décadas, a cada dois anos houve um desastre de graves proporções com barragens de rejeitos em Minas Gerais. O estado possui centenas de barragens, sendo muitas vulneráveis. E o Poder Público continua a confiar o monitoramento ambiental às próprias empresas, e a licenciar novos empreendimentos em regiões já saturadas.

O modelo e a intensidade da mineração ameaçam populações e territórios em Minas Gerais. Além disto, hoje se sabe que onde há minério de ferro há água de qualidade, recurso vital cada vez mais escasso e estratégico. E que já passou da hora do estado buscar alternativas econômicas à exportação de commodities.

Por isso, nestes 4 e 5 de novembro, nos reuniremos em Belo Horizonte, capital sede das principais decisões e medidas de legitimação de atrocidades ambientais, para REJEITAR o modelo de ATRASO E DEPENDÊNCIA econômica vigente, para HOMENAGEAR AS VÍTIMAS humanas e não humanas do desastre e EXIGIR JUSTIÇA JÁ!

Participe você também desta vigília:

https://www.facebook.com/events/359346131064026/

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Programação REJEITO
SEXTA 04 de NOVEMBRO
Praça da Liberdade
• 19h
Ato sonoro.
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• 19h15
Cruzes e Velas,
Músicas de Makely Ka.
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• 19h30
Palestras
— Jesus Rosário Araújo —
Presidente da Federação das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais.
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— Maria Teresa Corujo (Teca) —
Movimento pelas Serras e Águas de Minas (MovSAM)
Movimento pela Preservação da Serra do Gandarela.
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— Denise de Castro Pereira —
Professora da PUC-Minas, Pesquisadora de Conflitos na Mineração.
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— Paulo Rodrigues —
Geólogo do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN) e integrante do Movimento pela Preservação da Serra do Gandarela e do MovSAM.
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— Juliana de Souza Matias —
Diretora Regional da Fetaemg / Polo Rio Doce
e Secretaria Estadual de Juventude da CTB Minas.
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— Ricardo Ferreira Ribeiro —
Doutor em Ciências Sociais em Desenvolvimento,
Agricultura e Sociedade.
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— Avelin Buniacá Kambiwá —
Mulher indígena Kambiwá, socióloga e professora. Representante do Comitê Mineiro de Apoio às Causas Indígenas.
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• 22h
Encerramento.
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SÁBADO 05 de NOVEMBRO
Praça Sete
• 9h
Instalação artística “Vida e Morte de um Rio Sagrado ”Grupo Carte-Í.
• 11h
Performance coletiva: “Grito do Watu” Rio Doce.
Cortejo a partir da Praça Sete com previsão de chegada na Praça da Liberdade às 12h.
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SÁBADO 05 de NOVEMBRO
Praça da Liberdade
• 9h às 22h
Criação, produção, intervenções e instalações.
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•11h
Teatro Infantil “A terra tremeu”, do grupo de teatro Pequi (Nanci Alves e Karine Terrinha).
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• 12h às 12h30
Chegada do cortejo “Grito do Watu/Rio Doce”.
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• 13h
Distribuição de mudas (Boi Rosado Ambiental).
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• 15h
Cosmovisão Indígena.
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• 16h
Ato sonoro.
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• 16h20
Espetáculo Assembléia Comum.
(Grupo de teatro do Espaço Comum Luiz Estrela).
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• 18h
Boi Caveira.
Irmandade dos atores da Pândega.
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• 19h30
Ato sonoro e Projeções.
Microfone aberto: palavra aberta para poetas, rappers, cidadãos.
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• 21h
Republica da Lama.

Subway

Sentir a arte urbana fazer parte de mim e eu dela, trazendo luz até no subterrâneo, porque me cansei das superfícies.

Brenda Mar(que)s Pena

ZONA LAMM – Resultado de la convocatória — Embaixada Cultural

A Embaixada Cultural e a Oficina de Imagens, com apoio do fundo Ibermúsicas, divulgam o resultado final de seleção para participação na residência musical “ZONA LAMM”: Diana Restrepo – Sabaatica (Bogotá / Colômbia) Jenn del Tambó – Barranquilla / Colômbia) Naiara Armendáriz (La Plata / Argentina) Agradecemos à todas as inscritas, foi um processo de […]

via ZONA LAMM – Resultado de la convocatória — Embaixada Cultural

Um conto para fazer parte da história na 24ª Bienal do Livro de São Paulo

brenda

Rios Coloridos*

Por Brenda Mar(que)s Pena

O que dizer quando o imaginário se torna real na vivência de um viajante? Esta viagem começou há dez anos e com ela fui conhecendo pessoas que se tornaram amigos, irmãos e amores. O destino é a América Latina. Certamente o leitor vai perguntar: 

–  Mas qual país?

Esta jornada rompe as fronteiras geográficas e culturais. Tudo começou na ilha cubana, onde conheci um chileno muito especial. Aliás, quando o conheci tive a impressão que havia encontrado finalmente um irmão na forma de sentir o mundo. A experiência em Cuba mudou meu conceito de solidariedade, como não apenas doar algo, mas se doar com amor. Fui marcada para sempre ali pelas músicas que se tornaram uma trilha para regar a melancolia da saudade por muito tempo. Até hoje quando escuto música cubana sou invadida pela nostalgia.

Um ano depois estava de malas prontas para Caracas, Venezuela e lá conheci um poeta maldito que fez um raio x da minha alma. Entregou-me uma carta tão reveladora! Ele foi um verdadeiro oráculo para mim. Durante o Fórum Social Mundial que ali havia apresentei pela primeira vez a ideia do Imersão Latina, uma forma de imergir nas culturas e ir registrando e compartilhando uma nova história latino-americana pelo afeto com amantes das artes. Nesta ocasião, conheci um outro irmão chileno que tinha mudado para Caracas para colaborar com a revolução política e cultural que se desenhava a partir dos ideais bolivarianos, de união entre povos da América Latina, rompendo as fronteiras pelos laços culturais.

No mesmo ano fui pela primeira vez ao Chile e lá encontrei o maior amor da minha vida de viajante: os Andes. São tantos segredos que têm me revelado aquelas montanhas com toda beleza e espiritualidade! A partir daí fui me apaixonando pela cultura andina, que é onde vivem tantos povos indígenas, sua música, artesanato e instrumentos que tenho colecionado e me levam a entender melhor os ventos, ventos que me levaram para tantos outros lugares, novos amigos, histórias e amores, até o rio dos pássaros pintados…

*Conto publicado na Antologia Sem Fronteiras Pelo Mundo(Prosa)– Editora Sem Fronteiras/2016 que será lançado no dia 29 de agosto na Bienal do Livro de São Paulo

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