A escritora Clevane Pessoa registrou no seu blog  CH/AMAR/TE um belo texto com fotos, que retratam um pouco como foi a apresentação do Ritual da Mulher Poliglota, no Terças Poéticas, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, em setembro de 2009, durante o lançamento do meu livro Poesia Sonora: histórias e desdobramentos de uma vanguarda poética.

Como o Ritual da Mulher Poliglota remete a uma poesia dionisíaca, em que o prazer do coletivo está expresso, convidei alguns poetas para fazerem este ritual comigo entre elas, Clevane Pessoa que criou o banner com a criação de poema visual baseado na personagem/mito Mulher Poliglota. Quem conferiu pode vivenciar um pouco deste poema processo ritual, feito como um roteiro para performance.

Abaixo está também o texto na íntegra que foi performado por várias vozes.

O texto de minha autoria está grafado em negrito e entre aspas para facilitar a identificação.

Brenda Mars explicando a gênese da Mulher Poliglota (crédito de Iara Abreu)
Bilá Bernardes, poeta autora de FotoGrafias de Um desCasamento e Jovino Machado . (Crédito de Iara Abreu)
Clevane Pessoa por Iara Abreu
Wilmar Silva por Clevane Pessoa
Brenda Mars sonoriza seus versos (foto digital de Iara Abreu)
Brenda Mars, no início de sua fala sobre Philadelpho Menezes (foto de Clevane Pessoa)
(Poesia Visual de Clevane Pessoa about “O Mito da Mulher Poliglota’, de Brenda Mars . A Mulher Poliglota-uma das interpetações visuais de Clevane Pessoa sobre o Ritual da mulher Poliglota de Brenda Mars, em poema visual
Clevane Pessoa interpreta estrofe em estilo progressivo e sonoro do poema O Mito daMulher Poliglota, de Brenda Mars-publicado em Letras de Babel IV-Edição da aBrace, que ambas representamos em Belo Horizonte, MG.

 

Brenda Mars entre  entre Poesia Sonora e o Mito da Mulher Poliglota

Por Clevane Pessoa –  publicado no blog  CH/AMAR/TE

 

No primeiro dia de setembro de 2009, nos Jardins Internos do palácio das Artes,  foi realizado o lançamento do livro POESIA SONORA-História e desdobramentos de uma Vanguarda Poética,da jornalista e baterista Brenda Mar(que)s Pena acostumada a ritmos e nuances  .Na qualificaçãde performer, Brenda já se apresentou no Festival Internacional de Poesia Sonora em Belo Horizonte-MG-Brasil, no Oppenpport: Sound, Performance and Language em Chicago (USA-2007),  e, também em 2007, no E-Poetry, em Paris-França. Estes dois a convite de Wilton Azevedo.

Ela também é autora, fotógrafa e educadora de crianças e adolescentes. Em tudo que faz, parece-nos haver dentro dela, em chamas, uma pessoal música interior. Segue pela vida, qual se dançasse enquanto executa desafios. 

O evento teve início, quando Brenda fez sua homenagem ao Philadelpho Menezes, perdido precocemente, mas sempre reencontrado na herança poética deixada aqui na Terra.Depois, O Mito da mulher Poliglota, começou a ser apresentado por Brenda, a partir de umas estruturas vocálicas que o poeta Wilmar Silva, curador das Terças Poéticas, fez com desembaraço, habituado que é à sonoridades interpretativas.

A seguir, Bilá Bernardes expressou , com a primeira Letra da palavra “língua”, o “L”, com temporalidade de ampulheta, quatro versos-palavras e a explicaçãoda glote”. Ela, que pertence ao grupo poético Gato Pingado, deu conta do recado com propriedade:

“Polissêmica
Semiótica
Glossário
da glote
semente”

Depois,a poeta e editora Tânia Diniz sobe ao tablado, para dizer:

Mulher muda
o muda nada
A fala ferve
da verve feminina
a Voz tem que incorporar
para o direito não evaporar.”

Então, entra outra voz, masculina, de Jovino Machado recitou:

“Sonho no versos discente
natureza ativa
língua radioativa
explosão de saliva
boca quente
corpórea língua
prova o gosto dos idiomas
e descobre no beijo
a conclusão da experiência
a linguagem universal.”

A estrofe a seguir, seria dita por Neuza ladeira, que não pode comparecer e foi interpretada pela própria autora Brenda Mars:

O esperanto é só espanto
o que atrai é o atito
necessária fricção dos átomos
quando os humanos se tocam
na palavra que saliva”

E continou, já na letra “U”:

“Se foque na pluriforma,
transcenda as fronteiras
quer romper a barreira
de todas as comunicações?
Tome uma das línguas
da mulher poliglota
Não se faça de idiota
entre nesse ritual também.”

Enquanto Brenda se apresentava, componentes do grupo, distribuíram línguas de sogra, para que o público também fizesse parte do ritual, produzindo sons.

A seguir, Clevane Pessoa, com interpretação progressiva:

“Com uma boca, mas várias línguas
TIENE GUSTO DE VIÑO ESA MUJER!
Degusta os corpos e seduz
excita poemas e mostras palavras
enquanto engole o verbo
da ponta de uma de suas línguas
femme fatale!
Sagaz mulher que a Medusa inveja
Mito ou Musa?
Os homens, que dirão?
As mulheres veem nela
a possibilidade
de lambuzar-se de desejo
Dionísio revisitado
em corpo feminino.
Chamem a mulher poliglota
para um brinde
e experimente o prazer coletivo
em toda e qualquer língua.
Dionísio revisitado”

Aqui, começaram a se sobrepor as vozes com texturas sonoras de Marcos Palmeira (Wilmar Silva), que expressou-se ao mesmo tempo que Laia Ferraria e Sebastian Moreno (**). Eles  disseram belos e sonantes duetos de aliterações

DOLORES:

“No eran tus bejos
que ella buscara
eran tus huesos
y los musculos
de tus labios”

Joaquim Palmeira fala a palavra língua em várias Línguas.Inclusive a dele, singular.

E de/canta, de/clama:

” A embriaguez libidinal
a língua na língua
Lambe a langue na voz de lata
boca e pulmões
sopra brisas
ventos e furacões”

Então, surgem duas jovens mulheres, Dani Lopes e Silvana Lopes, do grupo Corpo-língua que há algum tempo, faziam corporeidades no placo e no entorno e interpretam – depois complementadas pela expressãcorporal e fônica de Brenda Mars:

“Cheio de crack da malícia
cérebro perturba a constância
e carrega-a de fantasia
na captura do efêmero.
Como ele ganhou essas línguas?
Terá engolido a de outros?
Alguns jamais arriscaram beijá-la
temendo perder para sempre a fala.”

A seguirk, Iara Kelly, atriz, compositora e cantora brasileira radicada em Paris canta essa preciosa estrofe:

O vinho depura a alma feminina
liquida o ar compartilhado,
nem um coquetel destilado
tem o perfurme frutado
que derrete a língua
no ato de ser tocada
pelo sabor da uva alcoólica”

Depois, Brenda entra com jogos de palavras, sendo seguida pela poeta e cantora Lívia Tucci,  começa um canto de chamamento de “Guantanamera”

O ápice da apresentação é no final, quando Iara Kelly, Dani e Silvana Lopes , acompanhadas por Lívia Tucci, falam da Babel moderna, apontam uma “chica terrorista”, que representa na verdade todas as mulheres, temidas pelo poder da palavra, menciona Michael Jackson e sua passagem pelo Olodum , na Bahia, Brasil-afirma que a mulher brasileira tem línguas até nos quadris e conclui numa apologia à Musiké grega, mas de todos os povos.

Uma bela e singular apresentação.

Depois, Brenda Mars agradece aos pais, ao marido, à irmã Marja, à Sônia Queiroz, sua orientadora na dissertação de Mestrado em Estudos Literários na UFMG, na linha Literatura e outros sistemas semióticos, aos participantes e parte…para a mesa, autografando os exemplares de pé, vestida num longo estampado e muito feminina e recebendo muitos cumprimentos. Vele lembrar que o roteiro doa apresentação foi elaborado pela própria autora com seus textos. Muito concorrida a noite, agradou aos apreciadores da Poesia sonora e que passou a ser conhecida também pelos ainda nãfamiliarizados a ela. E mereceu o aplauso de todos.

*Clevane Pessoa de Araújo Lopes
Diretora regional do inBrasCi em Belo Horizonte
Vice-Presidente do Instituto Imersão Latina
Pesquisadora do Museu Nacional da Poesia
Colunista de EUNANET

Serviço:
POESIA SONORA-História e desdobramenos de uma Vanguarda Poética-Editora TradiçãPlanalto, Coleção Dissertar-Brenda Marques Pena.

Brenda Marques Pena:Presidente do Instituto Imersão Latina-IMEL, uma ONG, cujo blog é
http://imersaolatina.blogspot.com (um dos mais votados para o Topblog por 5 anos consecutivos)

(**) Os argentinos Laia ferraria e Sebastián Moreno, que levam ao ar o Programa Tropofonia, pela rádio UFMG, na época, juntamente com Wilmar Silva. 

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SOBRE A CRIAÇÃO DO RITUAL DA MULHER POLIGLOTA – POEMA CRIADO NO PALCO DO CONGRESSO BRASILEIRO DE POESIA DE BENTO GONÇALVES . Este poema processo e seus desdobramentos foi performado em vários locais e países e publicado nas antologias Letras de Babel 4, da editora ABrace (2008), Nós da Poesia  All Print Editora, volume 1 (2009), Poetas Brasileiros volume 9 (2012), Utopias Possíveis (O Lutador, 2015).

Este é o título de um poema processo, publicado em parte no livro Letras de Babel 4, da aBrace Editora (Brasil/Uruguay, 2009) e no livro Nós da Poesia (Imersão Latina/All Print, 2009)

Em outubro de 2008, a convite da organização do Congresso Brasileiro de Poesia, participarei com uma performance poética no dia 09 de outubro, quinta-feira às 18 horas.

— Recital “O ritual da mulher poliglota”, com Brenda Marques Pena (Belo Horizonte)
Local: Auditório do SESC
— Reunião de Dirigentes de Casas de Poetas
Local: Sala Multiuso do SESC

O Congresso Brasileiro de Poesia é realizado realizado anualmente na cidade gaúcha de Bento Gonçalves, sempre na primeira semana do mês de outubro.

Veja programação completa e saiba mais sobre o evento no site: http://br.geocities.com/poebras/

E no blog: http://poebras.blogspot.com

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